Executivo e Legislativo gaúcho discutem alternativas para ampliar lavouras de inverno

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Nesta semana, no Palácio Piratini – em reunião coordenada pelo deputado Ernani Polo que estava como governador em exercício – foram discutidos caminhos para incentivar a produção de culturas de inverno no Rio Grande do Sul. O evento contou com presenças de representantes de entidades e lideranças do setor como a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, do ex-chefe da pasta e atual presidente do Conselho Consultivo da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Francisco Turra, e do secretário estadual da Agricultura em exercício, Luiz Fernando Rodriguez Júnior.


Em entrevista ao Programa Agenda de Notícias da Rádio Diário AM 780, o ex-ministro da Agricultura e presidente do Conselho Consultivo da Associação Brasileira de Proteína Animal, Francisco Turra, que fez recentes provocações a fim de instigar o poder público a tratar do tema, destacou a necessidade e possibilidade dos produtores gaúchos avançar nas culturas de inverno e assim potencializar a competitividade do agronegócio.


Turra destacou que existe um gargalo enorme de insumos para alimentação de animais, em especial na produção de aves e suínos e que a demanda por milho é crescente. Ele avaliou que a tendência é que com a demanda crescendo os preços do milho devem permanecer altos, e neste aspecto as cadeias precisam se organizar com alternativas para reduzir os custos e as produções de inverno devem ser observadas como opção de fomento.


Conforme ele, a Embrapa já possui estudos, tecnologias e sementes necessárias para a otimização das culturas de inverno em solo gaúcho e afirmou que o custo de uma lavoura de verão pode ser reduzido em até 11% quando há produção de inverno, mas frisou que no Rio Grande do Sul a área ocupada durante o período mais frio chega a ser cinco vezes menor do que nos meses de calor.


O ex-ministro comparou a rentabilidade das áreas do Estado com as lavouras do Paraná citando como exemplo municípios no entorno de Cascavel em que os agricultores têm feito até três culturas no ciclo de um ano potencializando sua renda e por consequência movimentando várias cadeias de modo que o fomento com a maior ocupação das terras agrícolas do Rio Grande do Sul deve ser visto como potencial de retomada econômica.


Turra citou que as instituições financeiras já sinalizaram disponibilidade de crédito para o custeio das lavouras, mas frisou que ainda será preciso uma disruptura cultural dos produtores em relação ao aproveitamento das áreas no inverno, concepção sobre os custos de produção, produtividade, rentabilidade e também de rotação de culturas.


O deputado estadual Sérgio Turra, que é filho de Francisco e que também acompanhou o debate, sugeriu a criação de um grupo de trabalho com representantes do setor ou até mesmo a criação de uma Frente Parlamentar para acompanhar o andamento do assunto.