Espumoso: um ano de pandemia

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Hospital Notre Dame São Sebastião atendeu pacientes oriundos de 39 municípios gaúchos.


Ao todo, 1260 atendimentos foram realizados na triagem instituída pelo Hospital; 200

pacientes foram internados e 64 precisaram de tratamento intensivo.


Estamos em meio a uma guerra biológica”, destaca enfermeiro que atua na linha de frente.


Este mês de março se tornou emblemático na vida de todos os brasileiros, pois é quando se completa um ano de incertezas, dúvidas, erros e acertos: um ano de enfrentamento a um vírus que, atualmente, se mostra mais letal e com maior capacidade de disseminação. Afinal, quando a população descuidou dos protocolos capazes de minimizar a proliferação do novo coronavírus, acreditando que teríamos vencido a fase crítica da pandemia, o surgimento de novas variantes acarretou mais perdas e maiores preocupações.

Ao longo desse ano, alguns profissionais se tornaram ainda mais reconhecidos e reverenciados pela comunidade, graças à sua atuação no atendimento às pessoas infectadas pelo vírus. Como nesse ano, a área da saúde jamais havia sido atingida.


Zelando, há mais de 80 anos, pelo bem-estar dos cidadãos do Alto da Serra do Botucaraí, o Hospital Notre Dame São Sebastião se tornou referência regional para o tratamento da Covid-19. Para tanto, a instituição adequou ambientes, realocou alas, preparou protocolos, treinou profissionais e enfrentou a maior tragédia recente vivenciada pela humanidade.


Neste mesmo período de 2020, por exemplo, o Hospital organizava a sua unidade de triagem para pacientes que apresentassem sintomas da Covid-19, contando com equipamentos adquiridos graças a verbas provenientes de doações da própria comunidade, além de oriundas dos poderes Executivo e Legislativo e de recursos da sua mantenedora, a Congregação de Nossa Senhora.


Vidas não são apenas números


Dessa forma, a instituição acolheu 200 pacientes de 39 munícipios de todo o Estado do Rio Grande do Sul, que necessitavam de atendimento médico-hospitalar. Somente de Espumoso, foram 71 os hospitalizados – dado que, corroborado por tantos outros, evidencia a importância da casa de saúde para o município. “O trabalho sério e comprometido de nossa equipe de profissionais nos coloca como referência também neste atendimento.

Paralelamente a esses números, podemos citar os mais de 41 mil atendimentos realizados nos últimos 12 meses. São pessoas que procuraram o Hospital para a realização de exames, cirurgias e partos, além de internações”, menciona o administrador da instituição, Marcelo Padoin Canazaro.


Covid-19 - Uma radiografia da atuação do Hospital Notre Dame, ao longo de um ano


- 2100 Testes realizados pelo seu Laboratório de Análises Clínicas - 1260 atendimentos na sua unidade de triagem - 200 pacientes (provenientes de 39 municípios do Rio Grande do Sul) - 64 atendimentos em Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) - 159 pacientes recuperados


“As informações que apresentamos à comunidade, como forma de prestar-lhe contas, reforça a seriedade com que assumimos a missão de oferecer múltiplos serviços em saúde, com atendimento humanizado, seguro e qualificado, a fim de promover a vida e o bem-estar da comunidade regional, à luz da bondade de Deus”, destaca a diretora da Área de Saúde da Congregação de Nossa Senhora, Irmã Cristina Backes. É preciso ainda, prossegue a religiosa, reconhecer o empenho dos profissionais que, mesmo atuando sob tensão e cansaço, tornaram possível que se chegasse a tais números. “Todos têm dado o seu máximo, cumprindo com suas atribuições e fazendo jus ao seu papel”, exalta Cristina.


A diretora ressalta, também, a importância do destino voluntário de alimentos, equipamentos e valores à casa de saúde, por parte da comunidade regional. Além disso, enfatiza a importância dos recursos repassados ao Hospital Notre Dame São Sebastião pelas prefeituras municipais da região, pela Câmara de Vereadores de Espumoso, pelos entes públicos regionais, estaduais e federais, bem como por empresas e entidades de classe. “Todos os recursos foram empregados na aquisição de equipamentos, na melhoria da estrutura para atendimento aos pacientes da Ala Covid-19, na compra de medicamentos e no cumprimento de outros compromissos decorrentes do enfrentamento à doença”, descreve a diretora.


A situação ainda é preocupante. “A pandemia continua, os custos de manutenção continuam altos uma vez que alguns medicamentos, materiais e oxigênio tem sofrido aumentos constantes nos últimos dias. O que nos causa preocupação neste momento também, é que muitos destes itens essenciais para o tratamento começam a sofrer escassez de oferta”, explicou Irmã Cristina.


Na linha de frente

Além do extremo cuidado para com os pacientes, o Hospital Notre Dame São Sebastião também priorizou a preservação do bem-estar de seus colaboradores. Para isso, mais que adotar protocolos de segurança sanitária e adquirir equipamentos de proteção individual, instituiu uma rede de apoio aos profissionais que atuam na linha de frente e, por isso, tiveram de adequar toda a sua rotina para atender às intensificadas exigências dos seus ofícios.


Conheça, por meio do depoimento de Pierre Brião Guilherme, como a sua vida foi transformada pelo inimigo invisível responsável pela pandemia:


Eu sou o enfermeiro Pierre Brião Guilherme e tenho 37 anos. Trabalhei 17 anos na Santa Casa de Bagé e no Hospital Universitário. Também fui professor no Senac. Chegou o dia em que resolvi buscar novos horizontes, novas oportunidades. Isso coincidiu com o início da pandemia e eu cheguei ao Hospital Notre Dame São Sebastião com a missão de auxiliar na montagem da UTI Covid, organizando-a para receber os pacientes. Foram muitas as incertezas, mas maior ainda era a vontade de ajudar as pessoas.


Cada paciente apresenta um quadro clínico diferente. Cada um tem uma evolução singular diante de um tratamento completamente particular. E cada um deles é razão pela qual, resistindo à carga de trabalho e, principalmente, à psicológica, eu meus colegas estudamos e aplicamos os procedimentos que começam a mostrar melhores resultados no tratamento da doença.


Estamos em meio a uma guerra biológica, na qual a batalha é diária. E foi lutando que eu contraí o vírus e enfrentei os acometimentos da doença, vivenciando os sintomas que os meus pacientes também sentiam. Ao avisar os meus colegas de que eu havia sido “contemplado”, também experimentei o seu cuidado.


Nós acreditamos no trabalho em conjunto e no estudo constante. Isso tem como resultado o índice de pacientes recuperados que, no Hospital Notre Dame São Sebastião, está acima da média nacional. O propósito da equipe, o estudo e a crença de que tudo vai dar certo, tem como resultado o índice de praticamente 80% de pacientes recuperados, no Hospital Notre Dame São Sebastião. Este índice, hoje, está acima da média nacional que é de 74%, conforme dados do EPIMED.


Não temos que pagar para ver! Esse vírus acentua as mais diferentes patologias e pode provocar sequelas irreversíveis. O nosso comportamento precisa mudar! São atitudes básicas que afastam a possibilidade de contrair e disseminar o vírus: lavar as mãos, manter a higiene, usar a máscara e, principalmente, pensar no outro. Tenhamos respeito pela vida: a nossa e do próximo!


Estamos no pior momento até aqui, mas, se não houver conscientização, essa guerra será ainda mais grave!”




Fonte: Hospital Notre Dame São Sebastião